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quinta-feira, 26 de março de 2015

Venda da lagosta teve queda de 95%

Pescadores reclamam grande queda no período pós-defeso em decorrência da pesca irregular e predatória, que cresceu nos últimos anos

praia de redonda
Na Praia de Redonda, os barcos estão parados em função do defeso
FOTOS: ELLEN FREITAS
Icapuí. Pescadores da Praia de Redonda, neste município, estão acompanhando preocupados a queda na captura de lagosta durante os seis meses em que sua pesca é permitida. Nos últimos sete anos, o volume de vendas do crustáceo no primeiro mês pós-defeso caiu 95%, isso porque, segundo eles, está faltando lagosta para comercialização.
O motivo da queda brusca, segundo conta o pescador Francisco de Assis da Silva, 55, é a falta da lagosta no mar, que, segundo ele, é uma consequência da pesca ilegal e predatória, que se prolonga durante todo o ano, não respeitando o período de defeso para reprodução do crustáceo, bem como a utilização de artifícios proibidos para sua captura, como o uso de compressores. "Se o pescador não deixar a lagosta se reproduzir no defeso, vai diminuir a pesca quando ela é permitida. Isso a gente vem vendo que tá acontecendo muito rápido nos últimos anos", afirmou.
Como comparativo da queda da renda para a comunidade, que vive essencialmente da pesca artesanal, Francisco conta que, em 2007, considerado por ele o último bom ano de captura, os pescadores lucravam, em média, R$ 5 mil no primeiro mês pós-defeso, e que, nos meses seguintes, era normal diminuir o lucro com a pesca. "Depois que termina o defeso, o primeiro mês é sempre muito bom, no caso, junho. O pessoal voltava com muita lagosta pra casa e faturava, em média, uns R$ 5 mil. Nesse tempo, o pessoal comprava um carrinho, uma moto, era fartura. Mas, em junho do ano passado, o mês todinho, eu só consegui com a venda de lagosta R$ 250, não compensou nem o gasto que eu tive pra ir pro mar", lamenta.
A situação tem preocupado toda a comunidade, que não vê mais na atividade a principal fonte de renda. No período de defeso, os pescadores vão ao mar semanalmente em busca de peixe para subsistência, e o que sobra é comercializado, garantindo algum recurso. Além disso, todos os pescadores recebem o seguro defeso em parcelas mensais, na quantia de um salário-mínimo, em número equivalente ao período de paralisação. "Esse dinheiro tem rendido pra nós mais do que a venda da lagosta", ressalta Francisco.
Como uma forma de garantir a perpetuação da atividade em condições para comunidade, bem como para o equilíbrio da reprodução da espécie no ambiente, a comunidade propõe uma fiscalização mais rigorosa no mar, o que segundo eles, não vem acontecendo.
Segundo um dos integrantes do Sindicato de Pescadores e Pescadoras Artesanais do Município de Icapuí, Tobias Soares, 34, é necessário que, além da fiscalização de estoque feita pelo Ibama na casa dos pescadores, haja uma busca de embarcações em alto mar para reprimir a pesca ilegal. "Esse é um alerta que a gente já vem fazendo há muito tempo. Houve várias brigas entre comunidades por conta disso. Alguns vão pro mar no defeso, outros não concordam. Então a gente precisa dessa fiscalização mais efetiva", esclareceu.
Além disso, ele conta que outra proposta é fazer a moratória, ou seja, a proibição da pesca da lagosta durante quatro anos. "Nós estamos enfrentando uma crise. Se o governo não olhar pra isso e proibir a pesca da lagosta para que ela possa se recuperar, o problema vai ficar ainda maior", acrescentou.
Eficiência
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) disse que a estratégia adotada pelo órgão para a fiscalização do período do defeso da lagosta, por ter demonstrado eficiência, tem incomodado os pescadores que insistem na pesca predatória. Segundo o chefe da Divisão Técnica do Ibama no Ceará, Rolfran Cacho Ribeiro, o trabalho de visitar casa a casa dos pescadores, a fim de checar os estoques do produto, gerou insatisfações em áreas onde não havia uma ação mais ostensiva para coibir a captura ilegal.
Rolfran explicou que, no atual período, não é adequada a fiscalização em alto mar, embora o órgão disponha de barco com capacidade para navegar. A visita domiciliar confere se há produção recente, que é aquela resguardada por lei para defender a procriação da espécie por ocasião da desova. Ele lembrou que, somente na semana passada, foram apreendidos 96 Kg de lagosta em Icapuí, inclusive sendo algumas ainda ovadas.
"Essa maneira de trabalhar tem incomodado aqueles que estavam mais habituados a burlar nossa vigilância. Não é o momento, de ir ao mar e sim fazer o trabalho em terra, que inclui, além daqueles que praticam a pesca artesanal, os aeroportos e portos", disse Rolfran. Conforme explicou, essa vistoria foi intensificada nos principais centros produtores, que incluem, além de Icapuí, os municípios de Itarema e Acaraú, ambos no litoral Oeste do Estado.
O Ibama dispõe de 40 fiscais para a vigilância nos 540 Km do litoral cearense. O barco disponível tem a capacidade de ir até 50 milhas da costa, mas o órgão vem estudando outras alternativas de fiscalização, com o uso de embarcações ligeiras. "O problema na queda produção não é tanto pela fiscalização, mas sim pelo esforço da pesca, que se amplia nos últimos meses de vigência do defeso", afirmou.
Ellen Freitas
Colaboradora  
Fonte; Diário do Nordeste

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