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sábado, 28 de junho de 2014

Produção de lagosta cai 50% no mês de junho

Fortalezenses e turistas não encontram com facilidade o crustáceo no Cais Pesqueiro do Porto do Mucuripe

barcos
Os barcos trazem cada vez menos o crustáceo e o quadro deve estender-se ao longo do segundo semestre. A pesca predatória é apontada como responsável pela crise no setor
FOTO: KID JÚNIOR
Iguatu. Pequenos e médios pescadores do Ceará enfrentam dificuldades para captura da lagosta. A produção em junho caiu cerca de 50% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo a Associação de Pequenos e Médios Armadores de Fortaleza (APMAPF). Cerca de 10 mil pessoas estão prejudicadas.
Os barcos trazem cada vez menos o crustáceo e o quadro deve estender-se ao longo do segundo semestre. A pesca predatória é apontada como responsável pela crise no setor.
Fortalezenses e turistas não encontram com facilidade lagostas nos boxes do Cais Pesqueiro do Porto do Mucuripe e em outros pontos de venda da Capital. O período de defeso durou de dezembro a maio passado. Depois de quase um mês de pesca liberada, os barcos retornam do mar com pouca quantidade do crustáceo. Em algumas áreas a queda de produção é ainda maior. Depois de dez dias de pesca, alguns barcos trouxeram ontem apenas 200 kg de lagosta, enquanto em junho do ano passado, as embarcações chegavam com cerca de mil quilos do fruto do mar a cada dia. Os municípios de Aracati, Aquiraz, Beberibe, Cascavel, Icapuí e Fortim são os mais prejudicados.
A queda na produção da lagosta está relacionada com o uso abusivo da pesca predatória, segundo a APMAPF. Muitos barcos insistem em utilizar armadilhas, caçoeira, rede de arrasto e compressor, trazendo sérios prejuízos para o meio ambiente. Portaria do Ibama proíbe essa prática e libera apenas a utilização de manzuá e covo, tipo de gaiola.
"No mar tem mais rede de caçoeira do que o manzuá, de tal maneira que depois de 23 dias de pesca, a quantidade capturada de lagosta representa menos de 50% em relação ao ano passado", observa o presidente da Associação dos Armadores de Pesca da Lagosta, José Nilton Barreto. "O que nós queremos é que o governo cumpra a portaria ministerial, que proibe o uso de rede de caçoeira". Barreto observa que o quadro atual é preocupante. "Esse é um problema que já se arrasta há alguns anos e permanece sem solução".
O deputado estadual Dedé Teixeira (PT) mostra-se preocupado com a situação enfrentada pelos pescadores artesanais. O parlamentar e a Associação dos Armadores de Pesca da Lagosta solicitaram reunião com a Secretaria de Pesca e Aquicultura do Estado, a Conab e a Comissão Estadual de Defesa Civil para tratar da prestação de socorro às comunidades pesqueiras.
"A pesca está praticamente zerada nos municípios de Aracati, Aquiraz, Beberibe, Cascavel, Icapuí e Fortim. São mais de oito mil famílias em situação emergencial", observa Dedé Teixeira. "Trata-se de uma questão de subsistência, pois todo o investimento dos pequenos pescadores foi de água abaixo, logo no início da temporada", frisa.
O parlamentar defende o pagamento de bolsa emergencial para os pescadores afetados pela falta de produção do crustáceo.
O Ibama só dispõe de uma embarcação para fiscalizar a costa cearense e de outros Estados do Nordeste. Segundo pescadores, é comum permanecer parada no Cais Pesqueiro do Porto do Mucuripe. A falta de vigilância facilita a pesca irregular.
Em terra
A coordenação de pesca do órgão federal observa, entretanto, que há ações de fiscalização em terra com o objetivo de coibir a pesca ilegal. Se não ocorre flagrante no mar, alguns dias depois, os fiscais podem identificar os barcos irregulares e agir contra os mesmos. O Ibama aponta as mudanças climáticas como outro fator para a queda na produção da lagosta.
Os três anos consecutivos de seca no Ceará provocaram assoreamento dos bancos de pesca. O período de produção vai de junho a dezembro. O pescador comercializa, atualmente, o quilo da lagosta viva por R$ 25, enquanto o filé custa R$ 60. São necessários três quilos do crustáceo inteiro para se obter um quilo do filé. Assim, o produtor prefere vender o crustáceo inteiro.
Mais informações:
Associação dos Pequenos e Médios Armadores de Pesca de Fortaleza Fone: (85) 3263. 1099
Gabinete do deputado estadual Dedé Teixeira: (85) 3277.2645
Honório Barbosa
Repórte
Fonte: Diário do Nordeste

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