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quarta-feira, 16 de julho de 2014

O que o Brasil ganhou nesta Copa

"Imagine na Copa". A frase simbolizou o pessimismo que pairou sobre o Brasil antes do evento. Mas, apesar do que faltou, o país funcionou bem para o mundial

MOBILIDADE O PAÍS ANDOU
Mesmo com obras não concluídas, como o Porto e o Aeroporto de Fortaleza, o Brasil conseguiu se locomover na Copa do Mundo. O transporte terrestre saiu vitorioso, na avaliação do setor. “Foi tranquila a operação, melhor do que a gente imaginava. Atendemos com folga em um setor que está acostumado a sazonalidades. Aumentamos em 20% a frota e transportamos 30% a mais que no mesmo período do ano anterior. Ninguém deixou de ser atendido”, diz Paulo Porto, presidente da Associação Brasileira das empresas de Transporte Terrestre de Passageiros (Abrati).

Com planejamento, as 209 empresas que integram a entidade atuaram “sem nenhum problema” em todo o País – apesar de não terem sido vistos investimentos nas estradas. Para Marcos Bicalho dos Santos, diretor da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), os esquemas especiais de ônibus urbano funcionaram muito bem. “Em cidades como Fortaleza, mais de 70% dos torcedores que foram a estádios foram usaram transporte coletivo”. A expectativa que fica a partir de agora, ele diz, é que se concluam as obras de mobilidade nas cidades e se possa.

Sucesso também teve o transporte aéreo de passageiros. “Caos aéreo” acabou sendo expressão esquecida no pessimismo pré-Copa. Na avaliação do coronel Ary Bertolino, chefe do Centro de Gerenciamento da Navegação Aérea, da Força Aérea Brasileira (FAB), foi uma criação com base em desconhecimento. Houve recorde, com aeroportos realizando o dobro das operações de períodos normais, com “percentuais de atraso da aviação regular em patamar abaixo ao mês anterior”. (ML)

SEGURANÇA SENSAÇÃO DE TRANQUILIDADE
Apesar de os números da violência não mostrarem uma cidade mais tranquila na Copa, como o policiamento se multiplicou e as ruas se encheram , a sensação de segurança chegou a muitos que temiam Fortaleza. O professor Luiz Fábio Paiva, do Laboratório de Estudos da Violência da UFC, avalia que o esquema especial para o evento foi uma ficção, que fez tudo parecer bem. “O Brasil será lembrado, possivelmente, como um país que organizou uma grande Copa do Mundo. Contudo, boa parte do que se viu em termos de organização e gestão pública foi ficção que aparentemente ‘deu certo”. Questionada sobre o que poderia ser feito para a manutenção da sensação de segurança, a Secretaria da Segurança (SSPDS) diz que essa é “missão cotidiana”. Destaca que “as iniciativas realizadas e os investimentos feitos em segurança pelos governos Estadual e Federal não foram designados exclusivamente para a Copa do Mundo”. (ML)

EVENTOS BRASIL SE CREDENCIA
A descrença de que o Brasil conseguiria realizar uma Copa caiu por terra. A própria Fifa, por meio do seu presidente Joseph Blatter, admite o sucesso inesperado do evento.Localmente, produtores de eventos ratificam o êxito. O diretor geral da Arte Produções, Marcelo Rocha, coordenou a montagem de todas as estruturas temporárias da Arena Castelão, como banheiros químicos. Para ele, o “padrão Fifa” mais ajuda do que atrapalha. No entanto, ressaltou que houve adaptações desse padrão para as realidades do Brasil. “A Fifa não foi engessada. Por exemplo, por questão de custo e burocracia, não dava para entregar tudo pronto um mês antes, como eles queriam”. Colombo Cialdini, responsável pela Meia Maratona Internacional de Fortaleza e pelo Fortal, destaca a dificuldade peculiar do evento. “São 12 cidades-sede. É muito. Mas tudo funcionou. Em Fortaleza, por exemplo, a Fan Fest ficou lotada todos os dias. Não tem registro de nenhum grande problema que tenha comprometido ou prejudicado a realização dos jogos nas arenas”. (AJ)

SERVIÇOS TODO MUNDO FOI ATENDIDO
Outra questão no pré-Copa era o setor de serviços.Atender bem aos clientes, principalmente turistas, era uma dúvida. Segundo a Associação de Bares e Restaurantes do Ceará (Abrasel-CE), o faturamento aumentou cerca de 30% no período se comparado com o 2013. Ivan Assunção, presidente da entidade, diz que houve preparação: contratação de pessoal, cursos de línguas e cardápio traduzido. “A maioria dos garçons não tem aprendizado satisfatório em idiomas. No entanto, além do cardápio traduzido, casas com fluxo maior de turistas estrangeiros sempre têm uma ou mais pessoas habilitadas a esse atendimento. Os empresários entenderam que não é luxo, é necessidade”, destaca. Quem não gostou muito da Copa foram os shoppings, que tiveram queda de faturamento das praças de alimentação nos feriados. O comércio também apontou queda em fluxo e faturamento, que chegou a 50%. (AJ) 
FUTEBOL MAIS EXIGÊNCIA PELA QUALIDADE
Tá certo que o hexa não veio. Mas analistas ouvidos pelo O POVO garantem que o Mundial representa, além de uma mudança na relação torcedor-esporte, um novo momento. “O legado dessa Copa é o bom futebol. O torcedor foi apresentado a outro esporte - esse, sim, de alto nível”, brinca o jornalista do Esporte Interativo Bruno Formiga. Com essa “apresentação”, vem mais exigência. “Teremos uma cobrança muito maior por um calendário melhor, tratamento mais justo na relação clube-torcedor e a exigência de um produto mais atraente”, diz.

“Muitos torcedores que foram aos estádios adoraram a experiência”, lembra o jornalista Rafael Luís Azevedo, autor do site Verminosos por Futebol. “Se os clubes e federações derrubarem a ideia de que estádios são perigosos, o futebol brasileiro aumentará sua taxa de ocupação das arquibancadas.” Para ele, entretanto, a relação entre o torcedor local e a seleção sai fragilizada da Copa.

O jornalista Felipe Lobo, subeditor do site Trivela, vê em atitudes como cantar o hino brasileiro à capela indício de mudança na relação do País com o time. “Acho que o exemplo de outras torcidas fazendo apoio maior também a seu time mexeu com a torcida brasileira”, fala.(Mariana Lazari) 

POLÍTICA ENGAJAMENTO
Só o tempo vai dizer se o brasileiro deu algum salto na consciência política. Mas especialistas analisam que as manifestações e protestos que ocorreram na Copa das Confederações e, em menor proporção, na Copa do Mundo, podem influenciar no aguçamento da visão crítica do brasileiro.

Conforme Jakson Aquino, professor de ciência política do Departamento de Ciências Sociais da UFC, há uma tendência de que a população brasileira tenha aprendido que manifestações trazem mudanças. “Só vamos saber disso no futuro. Tem havido mais manifestações em várias categorias, de vários setores. O número de pessoas está maior. Os brasileiro podem estar aprendido”, ressalta Jakson, que também é doutor em Ciências Humanas pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

O problema de fazer uma análise do legado das manifestações é que, conforme o professor-doutor, há pouca ou nenhuma pesquisa empírica no Brasil para saber de que forma as pessoas estão pensando sobre determinado assunto. “Gostaria que essas manifestações tivessem impacto e que canalizassem essa energia para escolha melhor dos seus governantes. A forma coma a população mais pobre que têm baixa escolaridade ver a política é diferente das pessoas com maior grau de instrução”, analisa. Para ele, se as manifestações influenciarem a população mais ignorante no aspecto político, poderia haver uma transformação mais intensa. (AJ)
Fonte: O POVO
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