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quarta-feira, 25 de maio de 2016

Em áudio, Renan defende mudanças na lei da delação premiada

O presidente do Senado também manteve conversas com o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado

Publicado em: 25/05/2016 07:27 Atualizado em: 25/05/2016 07:48

Para o peemedebista, é preciso impedir que um preso se torne delator, como ocorre na Operação Lava Jato. Foto:Jonas Pereira/Agência Senado
Para o peemedebista, é preciso impedir que um preso se torne delator, como ocorre na Operação Lava Jato. Foto:Jonas Pereira/Agência Senado

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse em conversa gravada pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado que é a favor de uma mudança na lei da delação premiada. Para o peemedebista, é preciso impedir que um preso se torne delator, como ocorre na Operação Lava Jato. A informação é do jornal Folha de S. Paulo.

Renan também sugeriu que poderia "negociar" com membros do STF (Supremo Tribunal Federal) "a transição" da presidente afastada Dilma Rousseff. Machado e Renan são alvos da Lava Jato. O ex-presidente da Transpetro busca um acordo de delação premiada. Ele também gravou o senador Romero Jucá (PMDB-RR), empossado ministro do Planejamento no governo Michel Temer. A revelação das conversas pela Folha na segunda levou à exoneração de Jucá.

Nas conversas com Renan, Machado propõe "um pacto", que seria "passar uma borracha no Brasil". O presidente do Senado responde: "antes de passar a borracha, precisa fazer três coisas, que alguns do Supremo [inaudível] fazer. Primeiro, não pode fazer delação premiada preso. Primeira coisa. Porque aí você regulamenta a delação".

A mudança, caso ocorra, será benéfica para Machado, que procurou Jucá, Renan e o ex-presidente José Sarney (PMDB) porque temia ser preso e virar réu colaborador. "Ele está querendo me seduzir, porra. [...] Mandando recado", afirmou Machado a Renan, em uma referência ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

O ex-presidente da Transpetro também indaga por qual motivo Dilma não "negocia" com os membros do Supremo. Renan respondeu: "Porque todos estão putos com ela". Para ele, os políticos todos "estão com medo" da Lava Jato. "Aécio [Neves, presidente do PSDB] está com medo. [me procurou] 'Renan, queria que você visse para mim esse negócio do Delcídio, se tem mais alguma coisa'", relata Renan, em referência à delação de Delcídio do Amaral (ex-PT-MS), que fazia citação ao tucano.

Renan declara que uma delação da Odebrecht "vai mostrar as contas", em possível referência à campanha eleitoral de Dilma. Machado responde que "não escapa ninguém de nenhum partido". "Do Congresso, se sobrar cinco ou seis, é muito. Governador, nenhum."

Através da sua assessoria, Renan informou à Folha de S. Paulo que os "diálogos não revelam, não indicam, nem sugerem qualquer menção ou tentativa de interferir na Lava Jato ou soluções anômalas. E não seria o caso porque nada vai interferir nas investigações."

Em nota, o STF declara que o presidente do tribunal, Ricardo Lewandowski, "jamais manteve conversas sobre supostas 'transição' ou 'mudanças na legislação penal' com as pessoas citadas", isto é, Renan Calheiros e Sérgio Machado.

Também por meio de nota, a Executiva Nacional do PSDB informou que vai "acionar na Justiça" o ex-presidente da Transpetro. A sigla diz ser "inaceitável essa reiterada tentativa de acusar sem provas em busca de conseguir benefícios de uma delação premiada".

Sérgio Machado não é localizado desde a semana passada.

Fonte; Diário de Pernambuco

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