sexta-feira, 29 de julho de 2011

Premium II fica sem destaque

Publicado em 29 de julho de 2011
Apesar do prazo mantido, investimento da refinaria cearense não foi citado no plano para os próximos quatro anos
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 Os Empreendimentos de Abreu e Lima (PE) e Comperj (RJ) deverão levar 
80% do investimento da multinacional, enquanto o restante deve ir para
a Premium I, no Maranhão
O arrastamento dos processos para o início das obras da Refinaria Premium II, no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp), refletiu nos planos da Petrobras para o período de 2011-2015, em relação ao empreendimento. A estatal se recusou a informar quanto que planeja investir na refinaria cearense no período, mas o Plano de Negócios (PN) aprovado na última sexta-feira (22) mostra que o projeto terá um destaque menor em relação a outras plantas que estão sendo ou que serão construídas no País.

A Petrobras construirá, até 2020, quatro novas unidades de refino: Refinaria Nordeste (RNE, também chamada Abreu e Lima), em Pernambuco, o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), a Premium I, no Maranhão, e a Premium II, no Ceará, todas em estados diferentes de evolução, sendo a cearense a que se encontra menos avançada.

CE sem destaque
Os dados plano estratégico que foram apresentados pelo presidente da companhia, Sérgio Gabrielli, na última quarta-feira a empresários de São Paulo, trazem a afirmação: "Destaca-se no PN 2011-15 os investimentos da RNE, 1º trem do Comperj e 1º trem da Premium I". Os trens informados referem-se às primeiras fases de refino destas unidades. Neste ponto, entretanto, o plano não cita a Premium II, apesar de manter o cronograma de início da operação para 2017. "Conforme divulgado na última sexta-feira, a única alteração no cronograma das novas refinarias ocorreu na Premium I, no Maranhão, que teve a data de partida postergada de 2014 para 2016. As outras refinarias têm seu cronograma inalterado, incluindo a Premium II, no Ceará", reforçou a assessoria de imprensa da estatal em nota.

Sem investimento
Matéria publicada no jornal Valor Online, na última terça-feira, corrobora com a previsão de um menor destaque à unidade cearense. A reportagem afirma que Gabrielli, em teleconferência com analistas, disse que a refinaria Abreu e Lima e a Comperj iriam consumir 80% dos US$ 35 bilhões destinados à construção de novas refinarias no Plano de Negócios 2011-2015, e que os 20% restantes ficariam com a Premium I, no Maranhão, cujos recursos seriam utilizados na terraplanagem do terreno.

Por meio de sua assessoria de imprensa, a Petrobras diz que quem deu as informações foi o jornal, e não a companhia, reforçando que os dados estariam errados. Contudo, a empresa não informou quanto que, dos US$ 35 bilhões, iria para a usina cearense, nem quanto viriam ao Ceará. "Ainda não temos os valores por estado. O presidente Gabrielli disse exatamente isso sobre o Comperj ontem. Quando ele diz ´não sabemos´, quer dizer que não temos o valor fechado. O motivo é que ´as licitações são feitas ao longo da obra, e a Petrobras busca sempre os melhores custos, ainda que isso exija reabrir licitações que a Companhia não considere vantajosas´, disse a assessoria.

Entretanto, mesmo afirmando que não possui os valores por Estado, o presidente realizou apresentações nesta semana nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo, detalhando projetos e investimentos em cada uma destas unidades da Federação. Em São Paulo, serão US$ 20,9 bilhões até 2015 e, no Rio, US$ 107,7 bilhões. Os dois estados serão os maiores beneficiados com recursos da companhia. O Nordeste, neste período, ficará com US$ 45,4 bilhões.

Atraso
As refinarias de Pernambuco e do Rio de Janeiro estão em fase de implantação. A pernambucana será inaugurada em 2012 e a fluminense terá seu primeiro trem em operação em 2013. O primeiro trem da Premium I, do Maranhão, operará em 2016, e a usina está em processo de terraplanagem. A Premium II só possui a Licença Prévia (LP) emitida, que aprova o empreendimento e sua localização. Para iniciar as obras, é preciso a Licença de Instalação (LI), pela Superintendência Estadual do meio Ambiente (Semace). A Petrobras, entretanto, ainda não solicitou este licenciamento e esclareceu, também, através da assessoria de imprensa, que "aguarda a liberação do terreno pelo Governo do Estado do Ceará" para realizar o pedido. O terreno ainda não está completamente desapropriado, havendo impasse a ser resolvido em relação a 50 hectares. Segundo a assessoria de imprensa da Procuradoria Geral do Estado (PGE), a questão continua em aberto, e ainda será acertada uma reunião com os proprietários das áreas para buscar uma solução. A reunião ainda não tem data.

A ser aplicado35 bi de reais é o valor destinado à construção das refinarias, porém, nenhum investimento foi ainda especificado para o Ceará

SÉRGIO DE SOUSAREPÓRTER
Fonte:http://diariodonordeste.globo.com

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